Sobre duas rodas

Foram 46 países, cinco continentes e mais de 35.000 km pedalando mundo afora. Depois de três anos, o brasileiro Arthur Simões Cardoso terminou sua jornada ao redor da terra sobre uma bicicleta.

O atleta, de 27 anos, nasceu na cidade de São José dos Campos/SP e passou a adolescência em Jacareí, no interior do estado de São Paulo. Graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, liderou o grupo de Projetos Sociais, levando educação e conhecimentos jurídicos para a população dos bairros mais afastados e menos beneficiados da cidade de São Paulo. Além disso, Arthur foi praticante e professor de ioga até que a paixão pelo ciclismo tomou proporções maiores, o que o fez ganhar a mundo, transformar o ciclismo em profissão e criar o Pedal na Estrada.

O projeto surgiu com a intenção de unir aventura, esporte e responsabilidade social. O principal objetivo era trazer educação, cultura e conscientização sobre o mundo, com enfoque na saúde pública dos países pelos quais Arthur passou. Através de parcerias com colégios, escolas, ONGs e instituições de ensino, o Pedal na Estrada tornou-se uma fonte de informação para estudantes de todo o Brasil e até no exterior. Arthur registrou histórias, costumes e curiosidades locais através de textos, imagens e vídeos, que são encontrados na web. “Consegui concretizar o maior objetivo do Pedal na Estrada, mostrando aos estudantes uma nova forma de ver o mundo e de apreender com ele, encorajando todos a tomarem uma postura ativa e de descoberta sobre seus objetivos de vida”, afirma Arthur.

Durante todo o percurso, Arthur superou muitos desafios, incluindo acidentes, enfermidades e assaltos, que ainda assim não o fizeram desistir do seu objetivo. “Queria mostrar o quanto o mundo é grande e interessante e compartilhar toda essa informação com aqueles que não podiam fazer o mesmo”, conta Arthur que descreve sua trajetória completa na sua página oficial (www.pedalnaestrada.com.br).

O Pedal na Estrada chegou ao fim no mesmo local onde teve início, no Brasil. Arthur Simões desembarcou em Salvador/BA no dia 28 de março e segue agora de bicicleta pelo litoral brasileiro, rumo à cidade de São Paulo (com previsão de chegada para o início do mês de junho). Nestes últimos 2000 (dois mil) quilômetros de Pedal na Estrada passará ainda pelas capitais de Vitória/ES e Rio de Janeiro/RJ.

Por que a volta ao mundo?

E por que não o mundo? Por que não ir mais longe? Queria mostrar que o mundo está aí para ser conhecido, todos os continentes, além de revelar que é possível fazer isso sobre uma bicicleta.

O que mais te marcou nesta viagem?

Ver pessoas pagando por erros que nunca cometeram. Como no Irã e em Mianmar, onde encontrei gente maravilhosa, que sofria com o próprio governo, sem a possibilidade de fazer muita coisa.

Qual seu maior aprendizado durante a viagem?

Talvez o maior aprendizado foi descobrir que eu não tenho controle de nada, de nada mesmo. Isso mostra como a vida é grande e como tudo pode acontecer e mudar planos e projetos em questão de segundos. Creio que ter visto a morte de perto também ajudou a mudou a perspectiva sobre a vida. A morte não parece mais tão distante, tornou-se algo concreto que pode chegar a qualquer momento, por isso é melhor viver aquilo que se deseja antes que seja tarde demais.

Você faria tudo isso novamente?

Depende. Agora, depois de ter feito isso, creio que não faria isso pela segunda vez, pelo menos não de bicicleta. Mas se eu estivesse de voltar há três anos, quando eu decidi fazer isso, eu tomaria a mesma decisão com certeza, sem pensar. Daria a volta ao mundo de bicicleta mesmo sabendo de todas as dificuldades.



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