O aventureiro da paz Rodrigo Fiúza finalmente termina a sua jornada. Confira abaixo a chega à Nova York
Depois de percorrer a Europa e a Ásia em cima de uma pequena Lander 250 cc encontrei muita burocracia para enviar a moto da Coréia para a América. Mas finalmente chego a última parada da expedição. O Alaska, conhecido como a Última Fronteira, é a última parte dos Estados Unidos depois do Canadá, não havendo nada mais acima.
Depois de Anchorage, capital do Alaska, a estrada se torna muito deserta com poucas cidades e uma natureza exuberante. Aqui você se sente impotente tamanha a força da mãe natureza. A toda hora animais cruzam a pista. No norte Canadá e no Alaska as estradas são mal conservadas principalmente devido às condições climáticas. Apenas durante julho e agosto é que se tornam trafegáveis. Durante o resto do ano são cobertas por gelo.
Meu destino agora são as Montanhas Rochosas, no Canadá. Uma das regiões com a maior densidade populacional de ursos do mundo. A qualquer instante poderei cruzar com esse temido animal pela estrada. Já escutei por aqui diversos casos de ataques e encontros inesperados.
Depois de atravessar o Canadá chego a Seattle. Agora são só 5,6 mil Km que me separam de meu destino final e de um sonho realizado. O mais impressionante é que neste tipo de viagem ficamos um pouco fora da realidade. Imagina pensar que 5 mil km é uma distância curta? É como ir de São Paulo a Buenos Aires e voltar. Pensando bem, prefiro continuar pensando assim, pois dessa forma torno prazerosos meus últimos km de estradas e vou deixando para trás continentes, países e uma longa história de um brasileiro em sua volta pelo mundo.
A saudade está batendo e agora já sinto o cheiro de meu Brasil. As forças já não são mais as mesmas como eram no início do projeto. Larguei do parque Yellow Stone, atravessei 3 estados. Em South Dakota, a 140 km da cidade de Rappid City, parei em um abastecimento e ouvi um barulho estranho saindo do motor da minha moto. Já havia notado que ela tinha perdido um pouco do rendimento. O barulho parecia trincar no motor e não sabia que decisão tomar. Porém não tinha muita opção. Tinha que chegar a primeira cidade para ver o que estava acontecendo.
Impressionante o tanto que uma viagem como essa nos reserva surpresas. Achei que este último percurso, com estradas boas seria para mim uma comemoração por tudo que havia passado. Me bateu um abatimento muito grande e a primeira coisa que veio a minha cabeça foi algo do tipo “poxa, depois de tudo o que passei porque isso está acontecendo a somente 2500 km de NY?”. Tive que pensar rápido e pilotando a uma media de 40 km por hora, percorri os 140 km até Rapid City, cheguei na cidade a noite, tudo estava fechado.
Depois de uma noite preocupado á estava de pé às 7h30. Procurei uma concessionária e o defeito foi detectado na parte do Chain Claim da moto. Porém a peça que preciso não existe aqui nos EUA. Fizemos uns ajustes e colocamos um reforço no óleo. Não pudemos fazer mais nada.
Os últimos km até NY foram tensos e depois de 3 dias, uma emoção muito grande tomou conta de mim. A placa na estrada anunciava New York a apenas 137 milhas. Sentia que estava perto de realizar um sonho. Depois de meses estava perto do final.
Às 13 horas do dia 31 de agosto chego à cidade, quebrando o recorde mundial de volta ao mundo mais rápida já feita de moto. Um dia para ficar na história da aventura brasileira.
Nas ruas de NY tento me aproximar do maior evento que já havia presenciado: o Brasilian Day. Assim que cheguei à rua Little Brasil ouvi o barulho das bandas. Foi uma grande emoção rever alguns amigos e com aquele sentimento de lição de casa feita, pois havia chegado no dia e hora programados. A apresentadora do evento chama por mim. Me dirijo ao palco do evento e já com o microfone na mão , meus olhos se enchem de lágrimas. Não contive a emoção de estar frente a frente com mais de um milhão de pessoas. Comecei meu discurso falando que há três meses largava para um teste de fogo que não sabia qual seria o fim. Terminei minhas palavras emocionado ao ver milhões de pessoas me aplaudindo por eu ter conquistado tamanho feito para o Brasil.
Viajar o planeta de moto exige muita dedicação, raça e força de vontade. E como diz o lema da Transiberiana “alguns no mundo tentam atravessá-la, a maioria desiste e poucos chegam ao final”. Graças a Deus e ao carinho do povo brasileiro aqui estou eu para contar as histórias de uma longa caminhada pelo mundo em duas rodas.

















